THE TELL

A Monad colocou até US$ 60 milhões na mesa para seus primeiros investidores. Quase todos recusaram

Três meses antes do primeiro desbloqueio, a Monad ofereceu recomprar a participação de quem entrou cedo, a um preço definido. Quase ninguém aceitou — e essa resposta é mais interessante que a oferta.

A Monad, uma layer-1 de alto throughput apresentada como concorrente do Ethereum, tocou um programa de recompra para seus primeiros investidores de até US$ 60 milhões, segundo reportagem do CoinDesk de 18 de agosto. O momento não foi por acaso: os desbloqueios para investidores começam em cerca de três meses, o MON está sendo negociado abaixo do preço da venda pública e a maior parte da oferta continua travada, fora de circulação.

Quase todos os investidores elegíveis disseram não.

É aí que vale parar um instante. Um projeto ofereceu dinheiro, num momento em que o token está no vermelho e a porta de saída vai se abrir de qualquer jeito em pouco tempo — e as pessoas que entraram primeiro e mais barato preferiram ficar com o papel.

O que significa

A história padrão do mercado cripto é sempre a mesma: os fundos entram baratinho, esperam o fim do lockup e despejam tudo no varejo no dia em que o cliff vence. Repete-se tanto que virou lei. O programa da Monad é uma das raras vezes em que alguém testou essa lei com uma proposta de verdade na mão — e a lei não se sustentou.

Uma oferta recusada também é um sinal de preço.

Existem pelo menos duas leituras, e não sabemos qual está certa. Uma: esses investidores acham que o MON vale mais que o preço da recompra, e vender agora com desconto em relação à própria convicção não faz sentido. Outra: a oferta foi precificada de um jeito que tornou a recusa fácil. A Monad não publicou um preço por token que a gente possa verificar, então não vamos fingir que sabemos. O que podemos afirmar é que o programa existiu, que o teto era de US$ 60 milhões e que a adesão foi mínima.

A outra metade da história é o custo. Gastar até US$ 60 milhões para enxugar a própria base de investidores antes de um desbloqueio não é despesa de crescimento — é seguro contra o próprio cronograma de emissão. Isso mostra o tamanho do medo que os times têm hoje do calendário de unlocks, e quanto do caixa de um projeto pode ir para administrar isso em vez de construir. Os investidores da Monad dispensaram o seguro. O time ainda assim precisou oferecê-lo.

A quem isso afeta

Qualquer pessoa que carregue um token com oferta travada pendurada sobre o preço — ou seja, quase todo token lançado nos últimos dois anos. E também os próprios fundos: este é um raro dado público sobre o que os primeiros investidores fazem de fato quando recebem uma saída real antes do cliff.

O que vem a seguir

Fique de olho na janela de desbloqueio daqui a mais ou menos três meses. Se os investidores que recusaram US$ 60 milhões em dinheiro também recusarem vender no mercado, a tese do despejo leva um golpe de verdade. Se venderem, a recusa foi sobre preço, não sobre convicção — e vamos saber qual das duas histórias era a verdadeira.

Um detalhe para guardar

Uma recompra é a pergunta mais direta que um projeto pode fazer a quem acreditou nele primeiro: diga seu preço para ir embora. A Monad perguntou. A resposta voltou como silêncio, e silêncio é mais difícil de ler que uma venda. Em três meses, as mesmas pessoas respondem de novo — só que aí sem ninguém fazendo oferta nenhuma.

Fontes: CoinDesk, 18 de agosto de 2026.

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