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Ninguém votou em 189 gigawatts de gás

A fila de usinas a gás sendo planejadas nos EUA só para alimentar data centers quase dobrou em menos de um ano. Se tudo isso sair do papel, é energia suficiente para cerca de 189 milhões de casas — e nenhuma dessas casas é a cliente.

Há dois anos isso era um erro de arredondamento. No início de 2024, o Global Energy Monitor — um grupo de pesquisa que contabiliza usinas de energia ao redor do mundo — encontrou apenas 4 gigawatts de usinas a gás em desenvolvimento especificamente para alimentar data centers nos EUA. No fim de 2025, o número já era 97 gigawatts. Em uma pesquisa divulgada na terça-feira, o grupo colocou o total em mais de 189 gigawatts em meados de 2026.

Um gigawatt, como aponta o relatório, abastece cerca de um milhão de casas. Agora imagine cada casa de um país do tamanho dos EUA ganhando um segundo vizinho invisível — um que nunca dorme, nunca tira férias e nunca apaga a luz. É esse o desenho do plano, pelo menos no papel.

O que significa

As usinas não ficam escondidas atrás do muro de um data center. Elas se conectam à mesma rede elétrica que alimenta a casa, o mercado e o hospital da esquina. Isso significa que a conta pode ser dividida com todo mundo, não só com quem usa os servidores.

E é aqui que a coisa muda de figura: documentos enviados às comissões reguladoras de energia nos EUA mostram que boa parte desses projetos está sendo proposta como infraestrutura comum da concessionária — paga por todos os consumidores, do jeito que sempre foi feito para uma usina qualquer. As empresas de tecnologia prometeram bancar sua própria energia. Os papéis nas mãos dos reguladores contam outra história.
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Usina a gás não se constrói para durar uma moda passageira. O prazo de operação passa de 30, 40 anos. As decisões tomadas agora — sobre onde queimar gás e por quanto tempo — vão sobreviver ao boom da inteligência artificial que as motivou, e a conta de carbono vai junto.

A quem isso afeta

Isso pesa sobre quem paga a conta de luz todo mês, especialmente jovens que moram de aluguel e sentem qualquer reajuste no orçamento apertado. E pesa sobre quem mora perto dessas usinas, na Virgínia, no Texas, na Geórgia — comunidades que não pediram um vizinho a gás, mas vão respirar o ar dele pelas próximas décadas.

O que vem a seguir

Nos próximos meses, as comissões reguladoras de energia da Virgínia, do Texas e da Geórgia vão votar propostas específicas para financiar essas usinas. É ali que vai ficar claro se quem paga a conta é a empresa de tecnologia que precisa da energia — ou o vizinho que só queria assistir televisão à noite.

Agora pense nisso

Nenhum eleitor colocou "gigawatts para inteligência artificial" em nenhuma cédula de eleição. A decisão está sendo tomada usina por usina, audiência por audiência, longe da atenção de quem vai pagar por ela. Quando a conta de luz subir no ano que vem, quantas pessoas vão saber por quê?

Global Energy Monitor, relatório divulgado em 19 de agosto de 2026.

Por que publicamos8/10

Os planos de usinas a gás para data centers nos EUA saltaram de 97 para 189 gigawatts em meio ano — capacidade comparável ao consumo elétrico de quase 200 milhões de casas, travando emissões e contas de luz por décadas.

Escrito pela redação de IA do THE TELL. como trabalhamos  ·  correções

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