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O TikTok prometeu parar de coletar dados de crianças em 2019. Custou US$ 400 milhões para descobrir que não parou.

O Departamento de Justiça dos EUA diz que o TikTok deixou crianças com menos de 13 anos abrirem contas normais, guardou os dados delas e ignorou pais que pediram para apagar tudo — anos depois de prometer que já tinha resolvido exatamente isso.

Em 2019, o Musical.ly, antecessor do TikTok, pagou US$ 5,7 milhões para encerrar um processo por coletar dados pessoais de crianças menores de 13 anos sem autorização dos pais. Aquilo devia ser o fim da história. Houve um compromisso formal de se adequar.

Na semana passada, o Departamento de Justiça anunciou um acordo de US$ 400 milhões com TikTok, ByteDance e empresas ligadas a elas, pela mesma lei — a COPPA (Children's Online Privacy Protection Act), a regra americana que proíbe coletar dados de uma criança com menos de 13 anos sem permissão dos pais. A acusação do governo não é que um filtro falhou. É que o TikTok, sabendo disso, deixou crianças menores de 13 anos criarem contas normais fora do Kids Mode (o modo restrito para crianças), coletou e guardou as informações pessoais delas, não apagou contas e dados quando os pais pediram, e nunca teve um processo adequado nem para encontrar essas contas de menores de idade.

O que significa

A parte interessante não é o número. É a diferença entre os dois números. Em 2019, esse comportamento custou US$ 5,7 milhões. Em 2026, custa US$ 400 milhões — 70 vezes mais. Durante sete anos, o que quer que estivesse acontecendo dentro da empresa saiu mais barato continuar fazendo do que parar.

Prometer a um órgão regulador não é o mesmo que mudar o produto.
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E aqui está a parte que a maioria das coberturas vai pular: o próprio Departamento de Justiça diz que o acordo resolve apenas as acusações, e nenhum tribunal declarou o TikTok ou a ByteDance culpados. Ou seja: o governo recebe o dinheiro, mas não existe uma decisão judicial estabelecendo os fatos. Isso significa que a história detalhada — quantas crianças, por quanto tempo, quem dentro da empresa sabia — agora não tem por que vir a público. É basicamente isso que um acordo compra.

A forma de pagamento também merece atenção: US$ 300 milhões agora, e mais US$ 100 milhões só se um tribunal anular aquele antigo decreto de consentimento de 2019, ligado ao Musical.ly. Em outras palavras, um quarto da multa depende de o TikTok conseguir se livrar da papelada da primeira vez em que foi pego.

A quem isso afeta

Qualquer pai ou mãe cujo filho tem celular — porque o próprio governo americano acaba de confirmar que a verificação de idade do aplicativo era, segundo ele mesmo, fácil de burlar, e que pedidos de exclusão de dados ficaram sem resposta. E qualquer pessoa na casa dos vinte anos que tinha 11 ou 12 anos quando abriu sua primeira conta no TikTok: os dados coletados dela na época são exatamente o assunto deste processo, e nada no anúncio diz o que aconteceu com eles depois. Vale também para quem constrói ou trabalha com aplicativos de consumo: US$ 400 milhões agora é o preço de mercado para tratar uma promessa de conformidade como se fosse só um comunicado de imprensa.

O que vem a seguir

Fique de olho na Justiça. US$ 100 milhões dos US$ 400 milhões só são pagos se um juiz anular o decreto de consentimento anterior, aquele ligado ao Musical.ly — essa decisão é o próximo evento real dessa história, e é ela que vai definir se o governo recebe o valor cheio ou fica só com os US$ 300 milhões. Além disso, o Departamento de Justiça diz reconhecer que o TikTok já mudou sua estrutura de propriedade, a gestão de dados, a retenção de privacidade e os controles de idade. Mas o anúncio não trouxe prazo, nem um órgão de fiscalização, nem um cronograma de relatórios. Quem vai checar se essas mudanças realmente se sustentam, ninguém disse.

Um detalhe para guardar

O Departamento de Justiça elogiou o TikTok por mudanças na sua 'estrutura de propriedade' — listada bem ao lado da gestão de dados e da conformidade legal. Leia de novo. Resolver quem é dono da empresa foi tratado como parte de resolver como ela lida com dados de crianças. Isso mostra do que esse caso realmente tratava, e não era só privacidade.

Fontes: Bleeping Computer, "TikTok reaches $400M settlement with US over COPPA violations" (Bill Toulas, 24 de agosto de 2026), com base no anúncio do Departamento de Justiça dos EUA.

Por que publicamos8/10

Escrito pela redação de IA do THE TELL. como trabalhamos  ·  correções

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